sexta-feira, 22 de junho de 2012

Fúria de Titãs

Porque não vos fizemos saber a virtude e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo fábulas artificialmente compostas; mas nós mesmos vimos a sua majestade.

2 Pedro 1:16

Depois do clássico filme Fúria de Titãs (1981), a mitologia grega voltou a moda com a versão de 2010 de Fúria de Titãs, cheia de efeitos especiais atualizados, cenas de ação e muita distorção do filme e do mito original para tentar ganhar o público mais preocupado em ver os temas comuns que gosta refletidos nos personagens. É um ‘Perseu’ pós adolescente em conflito com o pai (Zeus) que mostra que ‘é o cara’ ao acabar com monstros míticos, praticamente sem precisar dos deuses, mostrados como inúteis e indiferentes. As multidões assistem esses filmes sobre heróis gregos e no entanto nem fazem ideia do que realmente está por trás da estória que pretende ser apenas um passa tempo visual para quem não acredita em Medusas, mas curte ficar petrificado na frente da telinha ou telona.
O que está por trás da verdadeira história de Perseu e Andrômeda?
Historiadores concordam que os primeiros gregos da tribo dos Aqueus chegaram à região de Micenas, Argos e Tirinto onde absorveram os habitantes locais que viviam na idade da pedra, enquanto os Aqueus estavam na idade do bronze. Destes habitantes das cavernas que mais tarde seriam chamados de homens primitivos, os gregos podem ter tirado a inspiração para as lendas sobre ciclopes e gigantes, mostrados como seres fantásticos e rudes, habitando cavernas que ajudam os heróis e reis a construírem as primeiras muralhas de pedra.
Segundo a lenda, em Argos vive o rei Acrísio, irmão gêmeo de Preto que reina em Tirinto depois de perder Argos para o irmão. A lenda diz que Acrísio teme uma profecia de que o seu neto através de sua filha Dânae um dia o matará, então a tranca numa torre para não ter contato com nenhum homem, porém ela é avistada por Zeus que se derrama sobre a moça na forma de uma chuva de ouro e a engravida.
No entanto, algumas versões apontam que em lugar de Zeus, foi Preto que engravidou Dânae. Esta versão é bem mais convincente e explicaria muita coisa. Talvez o rei realmente guardasse a jovem donzela, até que seu próprio irmão aproveitou-se dela e a engravidou. A expressão ‘chuva de ouro’ pode representar uma grande soma de dinheiro sendo paga como dote e resgate pelo crime cometido. Perseu poderia ser o filho de Preto e legitimamente herdar o trono de Argos e ao mesmo tempo neto e herdeiro de seu tio Acrísio. O rei de Argos sentia-se muito ameaçado, pois o filho de seu irmão era o herdeiro de direito de seu trono e em caso de guerra, o herdeiro ainda teria o apoio e seria o herdeiro do reino vizinho.
A lenda diz que ele jogou Perseu no mar a vagar num caixão com sua mãe, tal como Moisés no Nilo, mas Perseu foi achado e criado por uma família pobre da ilha de Sérifo. Talvez o caixão seja um símbolo para suposta morte certa, ao serem abandonados num barco como náufragos, mas sobreviveram e o restante do mito idealizará Perseu ao estilo dos grandes heróis, para isso ele tem que matar monstros.
A parte da morte de medusa é tão irreal na narrativa que nem tem conexão com o andamento da estória. Não há uma justificativa real para Perseu partir, em algumas narrativas ele é pobre e quer dar um presente ao rei, em outras ele é o herói de um torneio. O objetivo desta parte da narrativa é justificar com que meios ele obterá a cabeça de medusa para usar como arma mais tarde.
A Medusa era o castigo dos deuses a uma mulher vaidosa, ao vencer a Medusa, Perseu vencia um juízo divino e tornava-se um herói porque também era vitorioso sobre forças sobrenaturais. Medusa é o símbolo da mulher sacerdotisa das religiões de mistério, ela é mágica, é mulher serpente, quando Perseu a vence, domina seu poder apropriando-se de sua cabeça. Perseu é um rei que domina o sobrenatural. Uma das grandes características da clássica mentira fruto de imaginação de um mito, é a concepção de seres fantásticos vencidos em uma terra distante. Afinal, quem poderia chegar até lá para dizer que é tudo mentira?
Agora Perseu fez um feito heroico esperando de um ‘Messias’, ou um rei que vem para salvar seu povo, então ele possuí armas e prerrogativas divinas e a imaginação grega lhe confere um cavalo alado, o Pégassus nascido do sangue de Medusa, um símbolo da vida após a morte, outro indício da filosofia e misticismo por trás do mito de Perseu. Se Perseu foi um personagem real, tudo isto foi o mito adicional várias gerações depois, para justificar a divindade de uma família real que dominou a Grécia Micênica inicial.
 Mas falta-lhe a rainha para ser rei.
Ele para na Etiópia num porto Fenício e o mito diz que ele salva uma linda donzela que está para ser morta, sendo oferecida como sacrifício para Posseidon e seu monstro Cetus ou Craquem na versão do filme. Ele usa a cabeça de Meduza e salva a princesa Andrômeda filha do rei Cefeu e da rainha Caciopéia.
Como os gregos inventaram esta parte do mito?
Esta é a parte mais importante da estória, ela explica a contribuição Fenícia, Camita e Cananita para a religião grega, onde mais uma vez este povo que praticava uma religião bárbara e diabólica que sacrificava crianças e adorava demônios conseguem infiltrar-se e influenciar os primórdios da Grécia.
Andrômeda pode realmente ter sido salva, pois era prática comum dos Fenícios fazer sacrifícios humanos de seus próprios filhos, embora isto fosse mais comum com indefesos bebês, é possível que mito de Cetus e sua batalha com Perseu seja na verdade uma releitura da batalha de Baal o deus celeste que combate Yan o dragão marinho dos Cananeus Fenícios. O mito de Baal e Yan é ainda uma versão do mito Sumério/Babilônico de Marduk contra Tiamat, que por sua vez, é a deturpação do simbolismo da profecia de Gn. 3:15.
Agora com sua princesa, Perseu derrota o rei Polidectes da ilha onde fora criado, mas não fica ali, volta à Grécia continental, onde ‘acidentalmente’ conforme o mito, mata seu avô Atreu. Perseu não assume o trono de Argos por ser o assassino do antigo rei, mas entrega Argos a seu meio irmão Megapente, filho de Preto, enquanto ele reina em Tirinto e funda Micenas onde terá sete filhos e iniciará a dinastia dos Perseidas e o império Micênico.
Se você conhece a história Bíblica do rei Acabe, vai lembrar que ele casou com uma princesa Fenícia chamada Jezabel que aniquilou com os profetas de Deus e instalou o culto a Baal. Algo muito parecido aconteceu com a Grécia, estima-se que até 10% da população do Mediterrâneo tenha mistura com sangue Fenício e bem provável que a rainha Andrômeda que justifica a origem da casa real mais importante da Grécia tenha mesclado à religião grega e fenícia, importando os cultos de Canaã e Babel para o mundo ocidental. Andrômeda e a mistura com a religião Fenícia são a conexão do mundo ocidental com o espiritismo, o culto a Satanás e Babel.
Não podemos ter certeza que Perseu e Andrômeda foram personagens reais, mas os gregos, além do fantasioso, viam neles personagens reais.
O filho de Perseu, Eléctrion governou como sucessor e em combate aos primos que governam Argos, perde seus filhos e é morto por seu sobrinho Anfitrião, casado com Alcmena, filha de Eléctrion. Alcmena engravida e o filho é justificado como sendo de Zeus, (então, Zeus é tanto pai de Perseu quanto é pai de Hércules, filho dele com sua neta Alcmena). Na verdade, o mito também diz que Alcmena se casa depois de viúva com um Cretense descendente do rei Minos, que também vem de linhagem 1/3 grega, 1/3 cretense e 1/3 fenícia, vindo de uma terra onde se adora o Zeus Touro e se diz ser o local onde Zeus foi criado.
O interessante é que você começa a perceber que os deuses não eram deuses, eram apenas homens que foram divinizados depois da morte por seus descendentes e que os heróis não eram heróis, mas receberam um mito para justificar o direito de determinadas famílias a reinar. A mitologia nada mais do que deturpação da religião original e os monstros, são apenas imagens visuais de medos e ameaças que as pessoas tinham. Veja como a história explica o que está por trás do mito:
Hércules será sempre perseguido por Hera, que era adorada em Argos, cidade rival dos Persaidas. Como os líderes de Argos e adoradores de Hera são constantemente inimigos dos Perseidas, que se justificam como filhos de Zeus, Hera será mostrada como a esposa divina ciumenta que persegue os filhos de Zeus.
Anfitrião é exilado e Esténelo assume o trono de Micenas, ele é o terceiro perseida e casa com Nicipe, princesa de Élis, dos quais nasce Euristeu o quarto e último perseida. Mas as lutas não demoram a surgir entre os Perseidas e Esténelo persegue os heráclidas, descendentes de Hércules que identificam-se com os dóricos, que reclamavam o trono Micênico e então refugiaram-se em Atenas. Quando Euristeu é morto com seus filhos, os Micênicos colocam Atreu, descendente do rei Pélope, pai Nicipe como rei de Micenas.
Ele guerreou com seu irmão pelo trono de Micenas e seus filhos Agamemnón e Menelau casaram-se com as princesas espartanas Clitemnestra e Helena, os Atreus herdaram respectivamente os tronos de Micenas e Esparta e foram aliados poderosos. Na época destes, ocorreu a guerra de Tróia e com esta chegaria ao fim a era dos heróis, um tempo intermediário entre os primórdios da civilização pós Babel e o início da era clássica antiga. Todos os heróis gregos são deste período e curiosamente vão deixar de existir na Grécia clássica, o que prova que alguns deles, podem realmente ter existido sem a descrição mística que conhecemos, suas histórias eram fruto das tradições orais folclorizadas.
Fúria de Titãs fez tanto sucesso que ganhou uma versão II, ainda mais fora da mitologia grega, mas quem se importa? Afinal mitologia é só fantasia mesmo.
No passado, os poetas pagãos fizeram folclore com base em tradições, personagens e até deturpação da história e profecia Bíblica conhecida por tradição oral e ancestral. Isto fez tanto sucesso que se tornou a religião deles. Muitos dos ateus e descrentes atuais apontam que a história Bíblica não é diferente do que o mito pagão, mas uma análise criteriosa desmascara um e revela o outro. Quando os profetas se depararam com estas histórias e viram algumas semelhanças da expectativa messiânica pagã e judaica, não aproveitaram para unir as religiões como pretendem alegar os críticos da Bíblia, o que lhes traria imediata popularidade, mas foram até acusados de intolerância religiosa e de promover sedição. Os profetas Bíblicos e apóstolos foram taxativos em diferenciar a fé do mito dizendo:

“Porque não vos fizemos saber a virtude e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo fábulas artificialmente compostas; mas nós mesmos vimos a sua majestade.” 2 Pedro 1:16.

por Pr. Ericson Danese

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